Fuga em Mossoró: Jaques Wagner admite preocupação do governo com demora para recapturar fugitivos

Força-tarefa trabalha há 13 dias para prender os dois detentos que escaparam do presídio federal de Mossoró

Por — Brasília


Força-tarefa fechou o cerco em área rural próxima ao presídio de Mossoró, onde dois presos escaparam há uma semana Reprodução / Globonews

O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Casa Legislativa, admitiu nesta terça-feira que o governo Lula está preocupado com a demora para recapturar os dois fugitivos do presídio federal de Mossoró, no interior do Rio Grande do Norte. As buscas aos dois presos completaram 13 dias nesta terça.

No dia 14 de fevereiro, quarta-feira de cinzas, Deibson Nascimento e Rogério Mendonça fugiram da unidade de segurança máxima e desde então continuam foragidos. Esta foi a primeira fuga registrada no sistema penitenciário federal, que foi criado em 2009 durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso inédito deflagrou a primeira crise de segurança pública na gestão do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, que assumiu o cargo no início de fevereiro.

Wagner participou hoje de uma reunião secreta na Comissão de Segurança Pública do Senado para debater o ocorrido. O secretário nacional de Políticas Penais (Senappen), André Garcia, foi convidado pelos parlamentares a prestar esclarecimentos sobre a fuga. A sessão ocorre a portas fechadas.

Ao sair da comissão, o senador petista comentou: — É óbvio que o governo está preocupado [com a demora na recaptura]. Eles estão trabalhando muito. Wagner é um dos parlamentares mais próximos do presidente Lula. Ele não quis dar detalhes sobre a discussão na comissão, alegando que a reunião ocorre de forma secreta.

Veja imagens das pistas deixadas pelos fugitivos da Penitenciária Federal de Mossoró

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Investigadores encontraram roupas, calçados e pegadas de Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça

O pedido para a vinda de Garcia ao Senado foi feito pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que foi ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro. Segundo Moro, a reunião tratou das falhas nos procedimentos de segurança e na estrutura do presídio federal de Mossoró que culminaram com fuga, como o não funcionamento de câmeras e a falta de revistas diárias.

Moro também cobrou do secretário um cronograma para a construção das muralhas em torno de quatro presídios federais, entre eles o de Mossoró. A medida foi anunciada por Lewandowski como uma das providências para reforçar a segurança no sistema penitenciário federal. Das cinco unidades que estão em operação, apenas a de Brasília possui a fortificação.

O senador também afirmou que o Ministério da Justiça "se comprometeu" a enviar um projeto de lei para a reestruturação da carreira do polícia penal federal, categoria responsável por trabalhar nas unidades sob administração do governo federal.

— Existe uma necessidade de uma reestruturação da carreira dos policiais penitenciários federais que trabalham entre os piores criminosos do país. É uma atividade de extremo risco. Inclusive, policiais já foram assassinados no passado — disse ele.

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