Chuvas no RS: prefeito de Eldorado do Sul afirma que cidade terá que ser evacuada após enchentes

Ernani de Freitas ressaltou que irá demorar pelo menos um ano para recuperar o município, localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre

Por — Rio de Janeiro


Vista geral das casas afetadas pela enchente do rio Jacuí em Eldorado do Sul, Rio Grande do Sul Anselmo Cunha / AFP

O prefeito de Eldorado do Sul, Ernani de Freitas (PDT), disse nesta terça-feira que a cidade "está tomada pela água" das enchentes e vai precisar evacuar toda a população de pouco mais de 40 mil habitantes. Em entrevista à Rádio Guaíba, Freitas ressaltou que irá demorar pelo menos um ano para recuperar o município, localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, diante dos estragos provocados pelos temporais.

— Realmente vou ter que evacuar toda a cidade, vou ter que tirar tudo. Só pode ficar aqui no nosso município quem terá condições de ficar trabalhando para fazer o rescaldo (de limpeza) da cidade. Porque a cidade está sem água, sem luz, e tomada pela água (das enchentes) — disse o prefeito.

Freitas acrescentou que, apesar de todas essas dificuldades, a cidade vai conseguir "sair dessa". Ele disse também o plano da prefeitura é levar a população para cidades do litoral, que foram menos afetadas pelas chuvas.

— Eu sei que será difícil. Vamos demorar pelo menos um ano para recuperá-la (...) Eu estou tentando agora transferir essas pessoas até para os municípios do litoral. Alguns prefeitos da cidade do litoral me ofereceram abrigo, me ficaram de me mandar até ônibus. As coisas estão se encaminhando — afirmou.

Qual o número de vítimas das Chuvas no Rio Grande do Sul?

As fortes chuvas no Rio Grande do Sul já deixaram 90 mortos confirmados, 132 desaparecidos e 361 pessoas feridas até esta terça-feira (7). Os temporais, que começaram em 27 de abril, ganharam força no dia 29 e já afetaram mais de 1,3 milhão de pessoas em território gaúcho, de acordo com o último boletim da Defesa Civil.

Mais de 155 mil pessoas estão desalojadas e outros 48 mil estão em abrigos. A marca já supera a última tragédia ambiental no estado, em setembro de 2023, quando 54 pessoas morreram.

Religamento de estações de água

A prefeitura de Porto Alegre anunciou nesta terça-feira o religamento de pelo menos duas estações de água que foram impactadas pelas fortes chuvas na capital do Rio Grande do Sul. O serviço foi retomado nas unidades São João e Menino de Deus. Debaixo d'água desde a última semana, a cidade está sob alerta de “inundação severa” devido à estabilidade do nível do Rio Guaíba em cerca de 5,3 metros.

A gestão municipal definiu como medida urgente a retomada do serviço de abastecimento de água nas estações Menino de Deus, Tristeza e Moinhos de Vento.

Na manhã de segunda-feira, o nível do Guaíba atingiu o maior patamar da série histórica, de 5,33 metros às 11h15, segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e a Agência Nacional de Águas (ANA). A via fluvial, a principal de Porto Alegre, registrou uma ligeira queda na manhã desta terça-feira, fechando em 5,28 metros. Antes das cotas atingidas em 2024, a cheia mais alta era a de 1941 (4,76 metros).

O alerta emitido pela Defesa Civil na manhã de segunda atestou a continuidade dos níveis de inundação e pediu que a população busque locais seguros.

Nota técnica do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), divulgada nesta terça, aponta nível de estabilidade desde domingo, quando registrou média de 5,3 metros. As principais preocupações dos pesquisadores, agora, são a duração dos níveis elevados e a possibilidade de repiques devido a novas chuvas ou pelo vento.

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