Ilva Niño, que morreu aos 90 anos, contrariou expectativa médica de pouco tempo de vida; entenda

Atriz deixou novela 'Saramandaia', em 2013, após ouvir de médico que 'estava preste a morrer' devido a câncer; depois de duas cirurgias, doença entrou em remissão

Por O GLOBO — Rio de Janeiro


A atriz Ilva Niño, no cenário da peça 'A incelença', em 2012 Thiago Lontra/Agência O Globo

A atriz Ilva Niño — que morreu, aos 90 anos, nesta quarta-feira (12), em decorrência de falência múltipla de órgãos após realizar uma cirurgia cardíaca — afirmou, numa entrevista, em 2016, para a colunista do GLOBO Patrícia Kogut, que havia contrariado expectativas médicas ao passar por um tratamento contra um câncer, há uma década, quando ouviu que "estava prestes a morrer", como contou.

Em 2014, a artista foi diagnosticada com um câncer no intestino — e o médico responsável por seu tratamento, à época, disse que ela já estava em estágio terminal. Ilva, que tinha acabado de gravar o remake de "Saramandaia (2013)", pediu, então, demissão da TV Globo. Após duas cirurgias, o câncer entrou em remissão.

— Era uma doença que todo mundo achava que não tinha volta, mas passou e estou bem. Não precisei fazer quimioterapia e recuperei os 19kg que havia perdido. Recebi muita energia positiva — afirmou ela, em 2016.

Ilva Niño como Dona Epifânia em 'Cheias de charme' (2012) — Foto: TV Globo/Estevam Avellar

Lembrada pelo público como a Mina, da novela "Roque Santeiro (1985)", Ilva Niño morreu nesta quarta-feira (12), no Hospital Quali, em Ipanema, Zona Sul do Rio de Janeiro. A atriz estava internada desde 13 de maio, quando passou por uma cirurgia cardíaca.

Natural de Floresta, no Sertão de Pernambuco, Ilva começou a estudar teatro quando cursava a Escola Normal e, posteriormente, participou de um curso ministrado pelo dramaturgo e escritor Ariano Suassuna. Em 1957, ganhou o prêmio de Melhor atriz no Festival de Amadores Nacionais por sua atuação no clássico "O Auto da Compadecida" como a Mulher do Padeiro.

Como Nina atuando com Regina Duarte, a Viúva Porcina de Roque Santeiro — Foto: Adir Mera

Casou-se com o ator e diretor Luiz Mendonça (1931-1995), criador do Movimento de Cultura Popular no Recife e idealizador do Grupo Chegança, que reuniu nomes como Carlos Vereza, José Wilker, Camilla Amado e Isabel Ribeiro. Com ele teve Luiz Carlos Niño, que morreu precocemente, aos 40 anos, em 2005. Em 2003 fundou o Teatro Ninõ de Artes Luiz Mendonça, em homenagem ao marido, onde dava aulas de teatro.

Estreou na TV em 1971na novela "Bandeira 2", da TV Globo. Na emissora, participou de vários sucessos da teledramaturgia, como "Gabriela" e "Pecado capital" (1975), "Feijão maravilha" (1979), "Guerra dos sexos" (1983) e "Partido alto" (1984). Em 1985, veio seu maior sucesso na TV, a Mina de "Roque Santeiro", empregada e confidente da Viúva Porcina interpretada por Regina Duarte. O grito estridente da patroa chamando seu nome ("Minaaaaaaa!") transformou-se numa das expressões mais lembradas da novela.

Depois participou de outros sucessos televisivos, como "Bebê a bordo" (1988), "Pedra sobre pedra" (1993), "O Rei do Gado" (1996), "Por Amor" (1997), "Cordel encantado" (2011) e o remake de "Saramandaia" (2013).

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