Charles III: por que o rei escolheu esse nome para subir ao trono

Monarcas britânicos podem escolher novo nome real ao serem coroados, mas Charles seguiu exemplo da mãe, Elizabeth II

Por Luana Reis*


Charles III vai suceder sua mãe, Elizabeth II, no trono do Reino Unido Kin Cheung / AFP

Entre as formalidades que acompanham a coroação de um novo monarca no Reino Unido, a escolha do nome oficial do novo rei ou rainha é uma das que mais causa curiosidade do público. Porém, quando Charles Philip Arthur George, filho mais velho da rainha Elizabeth II, for corado e se tornar o 62° monarca britânico, no dia 6 de maio, pouca coisa vai mudar.

Contrariando apostas que diziam que ele poderia homenagear o pai, Philip, ou o avô, George, com seu nome real, Charles definiu que continuará sendo chamado pelo seu primeiro nome de batismo. A única novidade será o acréscimo do III ao fim, para distingui-lo de antecessores.

Tradicionalmente, ao assumir o posto, o rei ou rainha pode escolher um novo nome real para utilizar, embora não seja um padrão homogêneo.

A ranha Elizabeth II, coroada em 1952, escolheu continuar usando seu primeiro nome, pelo qual estava habituada a ser chamada desde a infância. O antecessor de Elizabeth, no entanto, optou por utilizar a alcunha de George VI, embora fosse conhecido como Albert antes de subir ao trono. George, no entanto, era um de seus quatro nomes.

Charles I e Charles II

Charles não teve como fugir do III, todavia. A marcação é para diferenciá-lo de dois antecessores, que optaram pelo mesmo nome que ele.

Charles I foi rei em um período marcado pela tensão entre a coroa e o Parlamento, com a eclosão de uma guerra civil que durou seis anos e culminou em sua prisão e execução, em 1649.

Seu filho, Charles II, assumiu em 1660, após a Revolução Inglesa, e concentrava menos poder em suas mãos. O monarca não podia fazer leis sem o consentimento do Parlamento e uma série de reformas nas décadas seguintes estabeleceram que a Coroa deveria aceitar a vontade do Parlamento democraticamente eleito, sedimentando o modelo atual de monarquia constitucional do Reino Unido.

Mudança de título

Uma mudança menos intuitiva também vai acontecer na cúpula da monarquia com o reinado de Charles. Sua esposa, Camila Parker-Bowles, recebera o título de rainha consorte, algo que nem sempre foi uma certeza.

Rei Charles III e a rainha consorte Camilla são recebidos na cidade de York, Norte da Inglaterra — Foto: James Glossop/AFP

Quando se casaram, em 2005, foi acordado que ela se tornaria apenas princesa consorte. Mas, em 2022, durante as comemorações do Jubileu de Platina de Elizabeth II, a rainha manifestou sua vontade de que Camilla assumisse o título de rainha consorte quando Charles III se tornasse rei.

Rainha consorte é a denominação para a esposa de um monarca. O título de rainha é reservado apenas para quem nasceu na família real e está na linha de sucessão, como foi o caso de Elizabeth II.

*Estagiária sob supervisão de Henrique Gomes Batista.

Mais recente Próxima Lula dá quase duas voltas ao mundo, vai a 7 países e bate recorde de viagens nos primeiros 4 meses de governo