Gaza é o lugar 'mais perigoso do mundo' para uma criança, denuncia porta-voz do Unicef

Enclave palestino é bombardeado por Israel desde 7 de outubro

Por AFP — Genebra


Homem segura criança ferida após bombardeio a campo de refugiado no hospital al-Quds, em Gaza MAHMUD HAMS / AFP

A Faixa de Gaza é o lugar "mais perigoso do mundo" para uma criança, denunciou nesta terça-feira, um porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), após retornar do território palestino.

— Estou realmente furioso — declarou James Elder, em uma entrevista coletiva em Genebra, após passar quase duas semanas em Gaza. — Estou furioso que aqueles que estão no poder ignorem os pesadelos humanitários deflagrados sobre um milhão de crianças.

O funcionário se referiu, entre outras, às crianças internadas após serem amputadas e que, posteriormente, "morreram nesses hospitais" pelos incessantes bombardeios israelenses.

— Estou furioso que, neste exato momento, haja mais crianças escondidas e que, sem dúvida, serão atingidas [pelos bombardeios] nos próximos dias e sofrerão amputações — acrescentou.

Veja fotos de dentro do Hospital Indonésio

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Fotos mostram civis que se abigam no Hospital Indonésio, hoje sob cerco das FDI

Elder disse ainda que, nas últimas 48 horas, o hospital Nasser, o maior de Gaza ainda em funcionamento, em Khan Yunis, foi bombardeado duas vezes, apesar de abrigar um grande número de crianças que já ficaram gravemente feridas durante ataques contra suas casas, além de centenas de mulheres e crianças que procuram refúgio.

O porta-voz do Unicef lamentou que milhares de crianças mortas em Gaza "se tornem estatísticas".

— Fico furioso porque a hipocrisia destrói qualquer empatia (...) e fico furioso comigo mesmo por não poder fazer mais — adicionou.

O enclave palestino é bombardeado por Israel desde 7 de outubro, em resposta ao ataque do grupo terrorista Hamas contra seu território, que deixou 1.140 mortos, segundo autoridades israelenses. Do lado palestino, de acordo com o Hamas, no poder em Gaza desde 2007, mais de 19.600 pessoas foram mortas até o momento na ofensiva israelense.

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