Medicina
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Por Bernardo Yoneshigue

Diversos pesquisadores ao redor do mundo conduzem estudos para melhor entender o quadro de persistência dos sintomas do novo coronavírus mesmo após a infecção chamado de Covid longa. Os relatos são muitos, e agora pesquisadores do King’s College de Londres, no Reino Unido, definiram que os problemas pós-Covid podem ser enquadrados em três categorias diferentes, cada uma com manifestações distintas da doença.

Para ser caracterizada como Covid longa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que é preciso a permanência dos sintomas por ao menos 12 semanas, ou três meses. O novo estudo britânico, ainda não revisado por pares, foi publicado nesta semana na plataforma de pré-prints MedRxiv. O trabalho analisou informações de 1.459 indivíduos com o quadro, cujos dados estavam disponíveis pelo projeto ZOE Health, uma iniciativa britânica para monitorar os sintomas da Covid-19.

Eles concluíram que a Covid longa não é um problema homogêneo, ou seja, não se manifesta da mesma forma entre todos os pacientes e, por isso, o tratamento também deve ser individualizado. Para auxiliar nesse processo, eles enquadraram os relatos em três principais categorias: uma ligada aos sintomas neurológicos, outra aos respiratórios e a última aos que envolviam as demais queixas. A divisão pode ajudar no entendimento do quadro e na resposta à síndrome, afirmam especialistas.

— A maior preocupação com a Covid longa é que temos uma pandemia dentro de uma pandemia. É um grande número de pessoas sofrendo com o quadro, muitas vezes sem nem saber que são problemas da Covid, e com muitos médicos ainda não preparados para fazer o diagnóstico e tratamento — explica o infectologista Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI) e ex-membro do Comitê de Combate à Covid-19 de Belo Horizonte.

Confira as três categorias da Covid longa

  1. Primeiro grupo: Composto pelo maior número de pessoas, é ligado aos sintomas neurológicos da doença. Engloba fadiga; névoa mental; dores de cabeça, dificuldades de concentração; perda de memória, entre outros. Foi também o mais comum entre os pacientes que se infectaram durante as ondas das variantes Alfa e Delta.
  2. Segundo grupo: Ligado aos sintomas respiratórios, como falta de ar grave, tosse contínua e dores no peito que podem sinalizar danos no pulmão. Foi prevalente durante a primeira onda da Covid-19, com a primeira cepa do vírus e quando a população não estava vacinada.
  3. Terceiro grupo: Reúne os demais sintomas persistentes da doença. Os relatos incluíram palpitações no coração, dores musculares e alterações na pele e no cabelo.

“Esses dados mostram claramente que a síndrome pós-Covid não é apenas uma condição, mas parece ter vários subtipos. Nossas descobertas coincidiram com a experiência das pessoas que vivem com a Covid há muito tempo. Compreender as causas desses subtipos pode ajudar a encontrar estratégias de tratamento. Além disso, esses dados enfatizam a necessidade de os serviços médicos para Covid longa incorporarem uma abordagem personalizada e sensível às questões de cada indivíduo”, defende a professora do Departamento de Genética e Epidemiologia da instituição e uma das autoras do estudo Claire Steves, em comunicado.

Os pesquisadores responsáveis pelo trabalho ressaltam ainda que há evidências de que a vacinação contra a Covid-19 além de proteger contra formas graves da doença também reduz o risco para quadros de Covid longa.

— Aparentemente, as pessoas vacinadas, por terem formas mais leves da Covid-19, também têm menos chances de Covid longa. Então a imunização é fundamental não apenas para reduzir casos, hospitalizações e óbitos, como para diminuir o impacto a longo prazo da doença — explica Urbano.

Os responsáveis pelo estudo destacam que, embora as três categorias de sintomas tenham sido observadas durante todas as variantes, as diferenças na prevalência e na intensidade de cada uma podem ser justificadas não por mudanças nas cepas em si, mas por outros fatores como justamente o acesso às vacinas.

“Este é o primeiro estudo que analisa subgrupos de pacientes com perfis pós-Covid específicos e o efeito da vacinação, antes da infecção, no perfil de sintomas. Esses insights podem ajudar no desenvolvimento de diagnóstico e tratamento personalizados”, diz a professora da Escola de Engenharia Biomédica e Ciências da Imagem da King's College de Londres, Liane Canas, também autora do estudo.

Além das características e possibilidades de tratamento, outro ponto em investigação sobre a Covid longa são as possíveis causas para o quadro. Novos estudos têm apontado uma série de fatores, como lesões no organismo pela doença na fase aguda e uma resposta contínua de combate ao vírus mesmo após a infecção.

— Há lesões que são causadas pela invasão direta do vírus nos órgãos, como os casos de fibrose pulmonar pela destruição dos alvéolos consequente da inflamação no pulmão pela Covid-19. Mas a maior parte dos sintomas são funcionais, como os problemas de memória, que provavelmente são ligados à liberação descontrolada de substâncias inflamatórias no corpo que podem continuar mesmo após a infecção — diz o presidente da SMI.

Em relação aos sintomas neurológicos, por exemplo, um estudo conduzido por cientistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), publicado na revista científica Brain, descobriu que a própria resposta imune desencadeada pela contaminação com o Sars-CoV-2, vírus causador da doença, levou a danos e inflamações nos vasos sanguíneos do cérebro.

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